Atomismo [a privativo e temnein cortar, i.e. indivisível] é o sistema daqueles que sustentam que todos os corpos são compostos de minúsculas partículas indivisíveis de matéria chamadas átomos. Devemos distinguir entre
Atomism [a privative and temnein to cut, i.e. indivisible] is the system of those who hold that all bodies are composed of minute, indivisible particles of matter called atoms. We must distinguish between
- atomismo como filosofia e
- atomismo como teoria da ciência.
- atomism as a philosophy and
- atomism as a theory of science.
O atomismo como filosofia originou-se com Leucipo. Demócrito (n. 460 a.C.), seu discípulo, é geralmente considerado o pai do atomismo, uma vez que praticamente nada se sabe sobre Leucipo. A teoria de Demócrito pode ser resumida nas seguintes proposições:
Atomism as a philosophy originated with Leucippus. Democritus (b. 460 B.C.), his disciple, generally considered the father of atomism, as practically nothing is known of Leucippus. The theory of Democritus may be summed up in the following propositions:
A formação do universo deve-se ao fato de que os átomos maiores caem mais rapidamente e, ao colidir com os menores, combinam-se com eles; assim, todo o universo é o resultado do concurso fortuito dos átomos. Inúmeros mundos são formados simultânea e sucessivamente. Epicuro (342-270 a.C.) adotou a teoria de Demócrito, mas corrigiu o erro, apontado por Aristóteles, de que átomos maiores caem mais rápido que os menores no vácuo. Ele substituiu isso por um poder nos átomos de declinar ligeiramente da linha de queda. O atomismo é defendido por Lucrécio Caro (95-51 a.C.) em seu poema "De Rerum Natura". Com exceção de alguns alquimistas na Idade Média, não encontramos representantes do atomismo até que Gassendi (1592-1655) renovou o atomismo de Epicuro. Gassendi tentou harmonizar o atomismo com o ensino cristão postulando átomos finitos em número e criados por Deus. Com a aplicação do atomismo às ciências, o atomismo filosófico também reviveu e tornou-se por um tempo a filosofia mais popular. O atomismo filosófico atual considera a matéria como homogênea e explica todas as propriedades físicas e químicas dos corpos por uma diferença na massa da matéria e no movimento local. O próprio átomo é inerte e desprovido de toda atividade. A molécula, incorporada das ciências, é apenas um edifício de átomos imutáveis. O atomismo filosófico está inteiramente baseado no materialismo e, embora invoque as leis necessárias da matéria, sua exclusão das causas finais o torna, em última análise, uma filosofia do acaso.
The formation of the universe is due to the fact that the larger atoms fall faster, and by striking against the smaller ones combine with them; thus the whole universe is the result of the fortuitous concourse of atoms. Countless worlds are formed simultaneously and successively. Epicurus (342-270 B. C.) adopted the theory of Democritus, but corrected the blunder, pointed out by Aristotle, that larger atoms fall faster than smaller ones in vacuo. He substituted a power in the atoms to decline a little from the line of fall. Atomism is defended by Lucretius Carus (95-51 B.C.) in his poem, "De Rerum Naturâ." With the exception of a few alchemists in the Middle Ages, we find no representatives of atomism until Gassendi (1592-1655) renewed the atomism of Epicurus. Gassendi tried to harmonize atomism with Christian teaching by postulating atoms finite in number and created by God. With the application of atomism to the sciences, philosophic atomism also revived, and became for a time the most popular philosophy. Present-day philosophic atomism regards matter as homogeneous and explains all physical and chemical properties of bodies by a difference in mass of matter and local motion. The atom itself is inert and devoid of all activity. The molecule, taken over from the sciences, is but an edifice of unchangeable atoms. Philosophic atomism stands entirely on the basis of materialism, and, though it invokes the necessary laws of matter, its exclusion of final causes makes it in the last analysis a philosophy of chance.
A teoria atômica foi aplicada pela primeira vez à química por Dalton (1808), mas para ele significava pouco mais do que uma expressão de proporções na composição química. A teoria forneceu uma explicação simples dos fatos observados antes dele: que os elementos se combinam em proporções definidas e múltiplas. A descoberta no mesmo ano por Gay-Lussac da lei de que os gases sob a mesma pressão e temperatura têm volumes iguais foi ao mesmo tempo uma confirmação e uma ajuda na determinação dos pesos atômicos. A lei de Avogadro (1811) de que os gases sob as mesmas condições de pressão e temperatura têm um número igual de moléculas, e a lei de Petit e Dulong de que o produto do calor específico e do peso atômico de um elemento resulta em um número constante, foram confirmações e auxílios adicionais.
A teoria atômica foi logo aplicada à física e é hoje a base da maioria das ciências. Seus principais contornos são: A matéria não é contínua, mas constituída atomicamente. Um átomo é a menor partícula de matéria que pode entrar numa reação química. Átomos de natureza semelhante constituem elementos, aqueles de natureza diferente constituem compostos. Os elementos conhecidos hoje são cerca de 76 em número e diferem uns dos outros em peso e propriedades físicas e químicas. Os átomos se combinam para formar moléculas, que são as menores quantidades de matéria que podem existir em estado livre, seja de um elemento ou de um composto. Alguns acreditam que o átomo mantém sua individualidade na molécula, enquanto outros consideram a molécula homogênea em toda parte. As fórmulas teóricas de estrutura de Frankland supõem que eles permaneçam. Os espaços entre os átomos são preenchidos com uma matéria imponderável chamada éter. Sobre a natureza do éter existem as maiores diferenças de opinião. A adoção pelos cientistas da teoria da luz de Maxwell parece tornar a hipótese do éter com suas muitas contradições supérflua. Em todo caso, é bastante independente da teoria atômica.
The atomic theory was first applied to chemistry by Dalton (1808), but with him it meant little more than an expression of proportions in chemical composition. The theory supplied a simple explanation of the facts observed before him: that elements combine in definite and multiple proportions. The discovery in the same year by Gay-Lussac of the law that gases under the same pressure and temperature have equal volumes was at the same time a confirmation and an aid in determining atomic weights. Avogadro's law (1811) that gases under the same conditions of pressure and temperature have an equal number of molecules, and the law of Petit and Dulong that the product of the specific heat and atomic weight of an element gives a constant number were further confirmations and aids. The atomic theory was soon applied to physics, and is today the basis of most of the sciences. Its main outlines are: Matter is not continuous but atomically constituted. An atom is the smallest particle of matter that can enter a chemical reaction. Atoms of like nature constitute elements, those of unlike nature constitute compounds. The elements known today are about 76 in number and differ from one another in weight and physical and chemical properties. Atoms combine to form molecules, which are the smallest quantities of matter that can exist in a free state, whether of an element or a compound. Some believe that the atom retains its individuality in the molecule, whilst others consider the molecule homogeneous throughout. The theoretic formulas of structure of Frankland suppose them to remain. The spaces between the atoms are filled with an imponderable matter called ether. Upon the nature of ether the greatest differences of opinion exist. The adoption by scientists of Maxwell's theory of light seems to render the ether-hypothesis with its many contradictions superfluous. At all events it is quite independent of the atomic theory.
Os resultados obtidos pelo húngaro Lenard, pelo físico inglês J.J. Thomson e por muitos outros, por meio de descargas elétricas em gases rarefeitos, a descoberta das ondas hertzianas, uma melhor compreensão da eletrólise e a descoberta do rádio por Madame Curie tornaram necessária uma modificação da teoria atômica da matéria. O átomo, até então considerado sólido e indivisível, agora acredita-se que se desintegre em íons ou elétrons. Esta nova teoria, no entanto, não deve ser considerada como oposta à teoria atômica; vem antes como uma extensão dela. Na química, o principal campo da teoria atômica, o átomo permanecerá ainda como a unidade quimicamente indivisível. A hipótese dos subátomos, além disso, não é inteiramente nova; foi proposta por Spencer já em 1872 ("Contemporary Rev.", junho de 1872) e defendida por Crookes em 1886.
The results obtained by the Hungarian Lenard, the English physicist J.J. Thomson, and many others, by means of electric discharges in rarified gases, the discovery of Hertzian waves, a better understanding of electrolysis and the discovery of radium by Madame Curie have made necessary a modification of the atomic theory of matter. The atom, hitherto considered solid and indivisible, is now believed to break up into ions or electrons. This new theory, however, must not be considered as opposed to the atomic theory; it comes rather as an extension of it. In chemistry, the principal field of the atomic theory, the atom will still remain as the chemically indivisible unit. The hypothesis of subatoms is, moreover, not entirely new; it was proposed by Spencer as early as 1872 ("Contemporary Rev.", June, 1872) and defended by Crookes in 1886.
A teoria físico-química do atomismo, embora não seja uma verdade demonstrada, oferece uma explicação satisfatória para um grande número de fenômenos e, sem dúvida, permanecerá essencialmente a mesma, não importa como possa ser modificada em seus detalhes. Na química, ela não para arbitrariamente na divisão da matéria, mas para na divisão química. Se outra ciência exigir uma divisão adicional, ou se a filosofia precisar postular uma divisão do átomo em princípios essenciais, isso não é da alçada da química. A ciência não tem interesse em defender o átomo indivisível de Demócrito.
The physico-chemical theory of atomism, though not a demonstrated truth, offers a satisfactory explanation of a great number of phenomena, and will, no doubt, remain essentially the same, no matter how it may be modified in its details. In chemistry, it does not stop arbitrarily in the division of matter, but stops at chemical division. If another science demands further division, or if philosophy must postulate a division of the atom into essential principles, that is not the concern of chemistry. Science has no interest in defending the indivisible atom of Democritus.
A filosofia escolástica nada encontra na teoria científica do atomismo que não possa harmonizar com seus princípios, embora deva rejeitar a explicação mecânica, frequentemente proposta em nome da ciência, que considera o átomo como uma massa absolutamente inerte, desprovida de todas as atividades e propriedades. Os filósofos escolásticos veem nas diferentes propriedades físicas e químicas dos elementos uma indicação de naturezas especificamente diferentes. As mudanças químicas são para eles mudanças substanciais, e as fórmulas químicas indicam o modo como os elementos reagem uns com os outros na produção do composto. Elas não são uma representação do edifício molecular construído de átomos imutáveis. Alguns aceitariam mesmo esta última visão e admitiriam que não há mudanças substanciais na natureza inanimada (Gutberlet). Esta visão também pode ser harmonizada mais facilmente com os fatos da estereoquímica. Quanto aos fenômenos observados na radioatividade, uma generalização, seja no sentido materialista, de que toda matéria é homogênea, ou no sentido escolástico, de que todos os elementos podem ser transformados uns nos outros, é no estado atual da ciência prematura.
Scholastic philosophy finds nothing in the scientific theory of atomism which it cannot harmonize with its principles, though it must reject the mechanical explanation, often proposed in the name of science, which looks upon the atom as an absolutely inert mass, devoid of all activities and properties. Scholastic philosophers find in the different physical and chemical properties of the elements an indication of specifically different natures. Chemical changes are for them substantial changes, and chemical formulas indicate the mode in which the elements react on one another in the production of the compound. They are not a representation of the molecular edifice built up of unchangeable atoms. Some would accept even this latter view and admit that there are no substantial changes in inanimate nature (Gutberlet). This view can also be harmonized more easily with the facts of stereo-chemistry. As regards the phenomena observed in radlo-activity, a generalization, either in the materialistic sense, that all matter is homogeneous, or in the scholastic sense, that all elements can be changed into one another, is in the present state of science premature.