(Latim desperare, perder a esperança.)
(Latin desperare, to be hopeless.)
O desespero, considerado eticamente, é o abandono voluntário e completo de toda a esperança de salvar a própria alma e de ter os meios requeridos para esse fim. Não é um estado passivo da mente: ao contrário, envolve um ato positivo da vontade pelo qual uma pessoa deliberadamente desiste de qualquer expectativa de um dia alcançar a vida eterna. Presupõe-se uma intervenção do intelecto em virtude da qual se chega a decidir definitivamente que a salvação é impossível. Este último é motivado pela persuasão de que os pecados do indivíduo são grandes demais para serem perdoados ou que é muito difícil para a natureza humana cooperar com a graça de Deus ou que Deus Todo-Poderoso não está disposto a ajudar a fraqueza ou a perdoar as ofensas de suas criaturas, etc.
Despair, ethically regarded, is the voluntary and complete abandonment of all hope of saving one's soul and of having the means required for that end. It is not a passive state of mind: on the contrary it involves a positive act of the will by which a person deliberately gives over any expectation of ever reaching eternal life. There is presupposed an intervention of the intellect in virtue of which one comes to decide definitely that salvation is impossible. This last is motived by the persuasion either that the individual's sins are too great to be forgiven or that it is too hard for human nature to cooperate with the grace of God or that Almighty God is unwilling to aid the weakness or pardon the offenses of his creatures, etc.
É óbvio que uma mera ansiedade, por mais aguda que seja, em relação ao além não deve ser identificada com o desespero. Este medo excessivo é geralmente uma condição negativa da alma, claramente discernível dos elementos positivos que marcam o vício que chamamos de desespero. A pessoa pusilânime não abandonou tanto a confiança em Deus, mas está indevidamente aterrorizada com o espetáculo de suas próprias fraquezas e incapacidades.
It is obvious that a mere anxiety, no matter how acute, as to the hereafter is not to be identified with despair. This excessive fear is usually a negative condition of soul and adequately discernible from the positive elements which clearly mark the vice which we call despair. The pusillanimous person has not so much relinquished trust in God as he is unduly terrified at the spectacle of his own shortcomings of incapacity.
O pecado da desesperação pode, por vezes, ainda que não necessariamente, conter a malícia adicional da heresia, na medida em que implica uma adesão a uma proposição contrária à fé, por exemplo, que Deus não tem intenção de nos prover com o necessário para a salvação.
The sin of despair may sometimes, although not necessarily, contain the added malice of heresy in so far as it implies an assent to a proposition which is against faith, e.g. that God has no mind to supply us with what is needful for salvation.
A desesperança, por si só e distinta de uma certa diferença, como a angústia do coração ou um temor excessivo, é sempre um pecado mortal. A razão é que contraria de forma especial e direta certos atributos de Deus Todo-Poderoso, como Sua bondade, misericórdia e fidelidade. Certamente, a desesperança não é o pior pecado que se possa imaginar: essa primazia do mal é detida pelo ódio direto e explícito a Deus; tampouco é tão grande quanto os pecados contra a fé, como a heresia formal ou a apostasia. Ainda assim, seu poder de causar dano na alma humana é fundamentalmente muito maior do que outros pecados, na medida em que corta o caminho de escape e aqueles que caem sob seu feitiço são frequentemente, na verdade, encontrados se entregando incondicionalmente a todo tipo de indulgência pecaminosa.
Despair as such and as distinguished from a certain difference, sinking of the heart, or overweening dread is always a mortal sin. The reason is that it contravenes with a special directness certain attributes of Almighty God, such as His goodness, mercy, and faith-keeping. To be sure despair is not the worst sin conceivable: that evil primacy is held by the direct and explicit hatred of God; neither is it as great as sins against faith like formal heresy or apostasy. Still its power for working harm in the human soul is fundamentally far greater than other sins inasmuch as it cuts off the way of escape and those who fall under its spell are frequently, as a matter of fact, found to surrender themselves unreservedly to all sorts of sinful indulgence.
Fontes:
Sources:
- Nolkin, Summa Theologiae Moralis (Innsbruck, 1904)
- Rickaby, Aquinas Ethicus (Londres, 1896)
- Genicot, Theologiae Moralis Institutiones (Louvain, 1898).
- Nolkin, Summa Theologiae Moralis (Innsbruck, 1904)
- Rickaby, Aquinas Ethicus (London, 1896)
- Genicot, Theologiae Moralis Institutiones (Louvain, 1898).