Um historiador e estadista; nasceu em Florença, 1483; morreu lá em 23 de maio de 1540. Seus pais, Piero di Jacopo Guicciardini e Simona Gianfigliazzi, pertenciam a antigas famílias florentinas, ligadas ao partido dos Médici. A carreira precoce de Francesco foi a de um advogado bem-sucedido. Ele aumentou suas conexões aristocráticas e medicinas através de seu casamento com Maria Salviati (1508), cuja família se opunha ferozmente ao então dominante regime republicano. Em 1511, embora legalmente muito jovem para o cargo, foi enviado como embaixador florentino ao Rei da Espanha. Durante sua ausência, os Médici foram restaurados em Florença. Ao voltar (1514), entrou para o serviço deles, passando depois para o da Igreja. Sob Leão X, governou Modena e Reggio com conspícua sucesso; e, na confusão que se seguiu à morte do papa, destacou-se pela sua defesa de Parma contra os franceses (1521). Teve influência com Clemente VII na formação da Liga Antimperial de Cognac (1526), e foi tenente-general do exército que, sem qualquer culpa sua, não conseguiu prevenir o saque de Roma em 1527. Durante um tempo, Guicciardini manteve relações com o governo republicano restaurado de Florença; mas, no início do cerco, juntou-se ao papa e foi declarado rebelde pelo partido democrático. Com a rendição de Florença aos exércitos papais e imperiais, retornou à cidade (setembro de 1530), foi feito membro dos Oito (Otto di pratica) e tornou-se um dos principais agentes na subjugação do estado ao domínio mediciano. De junho de 1531 a setembro de 1534, governou Bolonha como vice-legado papal. Retornando a Florença após a morte de Clemente VII, apoiou a tirania de Alessandro de' Medici. Após o assassinato de Alessandro, desempenhou um papel principal em assegurar a sucessão de Cosimo de' Medici (1537); mas caiu em desgraça quando tentou conter o absolutismo do novo duque conferindo ao governo uma coloração oligárquica. Desde então, embora até sua morte Guicciardini tenha ocupado vários cargos públicos em Florença, sua influência chegou ao fim. Os poucos anos restantes de sua vida foram, em sua maior parte, passados em retiro, em sua villa em Arcetri, dedicando seu tempo forçado à composição de sua grande "Storia d'Italia".
An historian and statesman; born at Florence, 1483; died there, 23 May, 1540. His parents, Piero di Jacopo Guicciardini and Simona Gianfigliazzi, belonged to ancient Florentine families, attached to the party of the Medici. Francesco's early career was that of a successful lawyer. He increased his aristocratic and Medicean connexions by his marriage with Maria Salviati (1508), whose family was bitterly opposed to the then dominant republican regime. In 1511, though legally too young for the post, he was sent as Florentine ambassador to the King of Spain. During his absence, the Medici were restored in Florence. On his return (1514), he entered their service, from which he passed into that of the Church. Under Leo X he governed Modena and Reggio with conspicuous success; and, in the confusion that followed the pope's death, he distinguished himself by his defence of Parma against the French (1521). He was influential with Clement VII in forming the anti-imperial League of Cognac (1526), and was lieutenant-general of the army that, through no fault of his, failed to prevent the sack of Rome in 1527. For a while, Guicciardini kept on terms with the restored republican government of Florence; but, at the beginning of the siege, he joined the pope, and was declared a rebel by the democratic party. On the surrender of Florence to the papal and imperial armies, he returned to the city (Sept., 1530), was made a member of the Eight (Otto di pratica), and became one of the chief agents in the subjugation of the state to the Medicean rule. From June, 1531, to September, 1534, he ruled Bologna as papal vice-legate. Returning to Florence on the death of Clement VII, he supported the tyranny of Alessandro de' Medici. After the murder of Alessandro, he played the chief part in securing the succession of Cosimo de'Medici (1537); but fell into disfavour when he attempted to check the new duke's absolutism by giving the government an oligarchical complexion. Henceforth, although until his death Guicciardini held various public offices in Florence, his influence was at an end. The few remaining years of his life were mainly passed in retirement, in his villa at Arcetri, devoting his enforced leisure to the composition of his great "Storia d'Italia".
A "Storia d'Italia" abrange todo o período da morte de Lorenzo de' Medici em 1492 até a de Clemente VII em 1534, aquela época desastrosa na história italiana que presenciou a perda da independência da nação. Sua vasta acumulação de detalhes não obscurece as linhas principais da terrível história. O autor escreve como um testemunha ocular que participou das cenas que descreve; um observador perspicaz, sem ilusões, sem entusiasmos e com pouca esperança para o futuro; um que está acima de tudo interessado em traçar os motivos das ações dos homens — quase invariavelmente, em sua opinião, ruins ou indignas. Suas obras menores, como a anterior "Storia Fiorentina" (1509) e o diálogo "Del Reggimento di Firenze" (cerca de 1527), são menos artificiais em estilo. Os "Ricordi politici e civili" (1530) revelam muito do caráter e das crenças do autor. Enquanto desconfia de todo patriotismo e considera a profissão de nobres motivos como apenas um manto para fins pessoais, ele declara que as três coisas que mais deseja ver são o estabelecimento de uma república bem ordenada em Florença, a libertação da Itália dos bárbaros e a derrubada do domínio de maus eclesiásticos em todo o mundo. Ele admite que, se não tivessem seus próprios interesses pessoais ligados ao sucesso temporal de dois papas, teria amado Martinho Lutero como a si mesmo. Grande parte de sua correspondência política foi preservada.
The "Storia d'Italia" embraces the whole period from the death of Lorenzo de'Medici in 1492 to that of Clement VII in 1534, that most disastrous epoch in Italian history which witnessed the loss of the nation's independence. Its vast accumulation of details does not obscure the main lines of the terrible story. The author writes as an eyewitness who has himself taken part in the scenes he describes; a keen observer, with no delusions, no enthusiasms, and little hope for the future; one above all intent upon tracing the motives of men's actions — almost invariably, in his opinion, bad or unworthy. His minor works, such as the earlier "Storia Fiorentina" (1509) and the dialogue "Del Reggimento di Firenze" (circa 1527), are less artificial in style. The "Ricordi politici e civili" (1530) reveal much of the author's character and beliefs. While mistrusting all patriotism, and regarding the profession of noble motives as a mere cloak for personal ends, he declares that the three things he most longs to see are the establishment of a well-ordered republic in Florence, the liberation of Italy from the barbarians, and the overthrow of the rule of bad ecclesiastics throughout the world. He admits that, had not his own personal interests been bound up with the temporal success of two popes, he would have loved Martin Luther as himself. Much of his political correspondence has been preserved.
Fontes:
Sources:
- CANESTRINI, Opere inedite di Francesco Guicciardini (10 vols., Florença, 1857-1867)
- VILLARI, Niccolò Machiavelli e i suoi tempi (3 vols., Milão, 1895, 1897)
- ROSSI, Francesco Guicciardini e il Governo Fiorentino (Bolonha, 1896-99)
- ZANONI, Vita pubblica di Francesco Guicciardini (Bolonha, 1896)
- MORLEY, Miscellanies, Fourth Series (Londres e Nova Iorque, 1908). Uma edição crítica da Storia d'italia do falecido ALESSANDRO GHERARDI é agora prometida
- até o momento, a edição mais acessível tem sido a de ROSINI (5 vols., Turim, 1874). A melhor tradução em inglês é a de FENTON (1579). Uma admirável tradução dos "Ricordi" foi feita por THOMPSON, Counsels and Reflections of Francesco Guicciardini (Londres, 1890).
- CANESTRINI, Opere inedite di Francesco Guicciardini (10 vols., Florence, 1857-1867)
- VILLARI, Niccolò Machiavelli e i suoi tempi (3 vols., Milan, 1895, 1897)
- ROSSI, Francesco Guicciardini e il Governo Fiorentino (Bologna, 1896-99)
- ZANONI, Vita pubblica di Francesco Guicciardini (Bologna, 1896)
- MORLEY, Miscellanies, Fourth Series (London and New York, 1908). A critical edition of the Storia d'italia by the late ALESSANDRO GHERARDI is now promised
- hitherto the most accessible edition has been that of ROSINI (5 vols., Turin, 1874). The best English translation is that of FENTON (1579). An admirable translation of the "Ricordi" has been made by THOMPSON, Counsels and Reflections of Francesco Guicciardini (London, 1890).