Naturalista e o primeiro aeronauta; nasceu em 1685 em Santos, na província de São Paulo, Brasil; faleceu em 18 de novembro de 1724, em Toledo, Espanha. Iniciou seu noviciado na Companhia de Jesus na Bahia quando tinha cerca de quinze anos, mas deixou a Companhia em 1701. Foi para Portugal e encontrou um patrocinador em Lisboa, na pessoa do Marquês d'Abrantes. Concluiu seu curso de estudos em Coimbra, dedicando sua atenção principalmente à filologia e matemática, mas recebeu o título de Doutor em Direito Canônico. Diz-se que tinha uma memória notável e um amplo domínio de línguas. Em 1709, apresentou uma petição ao Rei João V de Portugal, solicitando um privilégio para sua invenção de um dirigível, expressando a maior confiança. O conteúdo dessa petição foi preservado, assim como uma imagem e descrição de seu dirigível. Seguindo após Francesco Lana, S.J., Gusmão queria espalhar uma enorme vela sobre um barco, como a cobertura de uma carroça de transporte; o próprio barco deveria conter tubos pelos quais, na ausência de vento, o ar seria soprado na vela por meio de ventoinhas. A embarcação seria impulsionada pela ação de ímãs que, aparentemente, deveriam estar encaixados em duas bolas de metal ocos. O teste público da máquina, programado para 24 de junho de 1709, não ocorreu. Segundo relatos contemporâneos, no entanto, Gusmão parece ter realizado várias experiências menos ambiciosas com essa máquina, descendo de elevações. Seu dispositivo, em essência, representava o princípio do papagaio (aeroplano). É muito provável que ele não tivesse ímãs nas referidas esferas metálicas, mas sim gases e ar quente gerados pela combustão de vários materiais. É certo que Gusmão estava trabalhando nesse princípio na exibição pública que deu perante a Corte em 8 de agosto de 1709, no salão da Casa da Índia em Lisboa, quando lançou uma bola ao teto por combustão. O rei recompensou o inventor ao nomeá-lo professor em Coimbra e torná-lo um cônego. Ele também foi um dos cinquenta membros escolhidos da Academia Real da História, fundada em 1720; e em 1722 foi nomeado capelão da Corte. Ele se ocupou também com outras invenções, mas, enquanto isso, continuou seu trabalho em seus projetos de dirigível, cuja primeira ideia se diz ter concebido enquanto era noviço na Bahia. Seus experimentos com o aeroplano e o balão de ar quente levaram-no a conceber um projeto para um verdadeiro dirigível, ou melhor, um navio para navegar no ar, consistindo em uma pirâmide triangular inteligentemente projetada, preenchida com gás, mas ele faleceu antes de conseguir realizar essa ideia. A fábula de que a Inquisição lhe havia proibido de continuar suas investigações aeronáuticas e o havia perseguido por causa delas é provavelmente uma invenção posterior. O único fato realmente estabelecido por documentos contemporâneos é que houve uma denúncia contra ele perante a Inquisição, mas por uma acusação completamente diferente. Ele fugiu para a Espanha e adoeceu de febre, da qual faleceu em Toledo. Escreveu: "Manifesto summario para os que ignoram poderse navegar pelo elemento do ar" (1709): "Vários modos de esgotar sem gente as naus que fazem água" (1710); alguns de seus sermões também foram impressos.
Naturalist, and the first aeronaut; b. in 1685 at Santos in the province of São Paulo, Brazil; d. 18 November, 1724, in Toledo, Spain. He began his novitiate in the Society of Jesus at Bahia when he was about fifteen years old, but left the same in 1701. He went to Portugal and found a patron at Lisbon in the person of the Marquess d'Abrantes. He completed his course of study at Coimbra, devoting his attention principally to philology and mathematics, but received the title of Doctor of Canon Law. He is said to have had a remarkable memory and a great command of languages. In 1709 he presented a petition to King John V of Portugal, begging a privilege for his invention of an airship, in which he expressed the greatest confidence. The contents of this petition have been preserved, as well as a picture and description of his airship. Following after Francesco Lana, S.J., Gusmão wanted to spread a huge sail over a bark like the cover of a transport wagon; the bark itself was to contain tubes through which, when there was no wind, air would be blown into the sail by means of bellows. The vessel was to be propelled by the agency of magnets which, apparently, were to be encased in two hollow metal balls. The public test of the machine, which was set for 24 June, 1709, did not take place. According to contemporary reports, however, Gusmão appears to have made several less ambitious experiments with this machine, descending from eminences. His contrivance in the main represented the principle of the kite (aeroplane). In all probability he did not have magnets in the aforementioned metal shells, but gases and hot air generated by the combustion of various materials. It is certain that Gusmão was working on this principle at the public exhibition he gave before the Court on 8 August, 1709, in the hall of the Casa da India in Lisbon, when he propelled a ball to the roof by combustion. The king rewarded the inventor by appointing him to a professorship at Coimbra and made him a canon. He was also one of the fifty chosen members of the Academia Real da Historia, founded in 1720; and in 1722 he was made chaplain to the Court. He busied himself with other inventions also, but in the meantime continued his work on his airship schemes, the first idea for which he is said to have conceived while a novice at Bahia. His experiments with the aeroplane and the hot-air balloon led him to conceive a project for an actual airship, or rather a ship to sail in the air, consisting of a cleverly designed triangular pyramid filled with gas, but he died before he was able to carry out this idea. The fable about the Inquisition having forbidden him to continue his aeronautic investigations and having persecuted him because of them, is probably a later invention. The only fact really established by contemporary documents is that information was laid against him before the Inquisition, but on quite another charge. He fled to Spain and fell ill of a fever, of which he died in Toledo. He wrote: "Manifesto summario para os que ignoram poderse navegar pelo elemento do ar" (1709): "Varios modos de esgotar sem gente as naus que fazem agua" (1710); some of his sermons also have been printed.
Fontes:
Sources:
- Biografia Universal, XIX (Paris, 1817), 218-220
- CARVALHO, Memória que tem por objeto reivindicar para a nação portuguesa a glória da invenção das máquinas aerostáticas (Lisboa, 1843)
- SIMÕES, A invenção dos aerostatos reivindicada (Évora, 1868)
- MOEDEBECK, Zeitschrift für Luftschiffahrt (1893), 1-10
- JOÃO JALLES, Os balões (Lisboa, 1887)
- WILHELM, An der Wiege der Luftschiffahrt, Pt. II (Hamm, Vestfália, 1909).
- Biographie Universelle, XIX (Paris, 1817), 218-220
- CARVALHO, Memoria que tem por objecto revindicar para a nação portugueza a gloria da invenção das machinas aerostaticas (Lisbon, 1843)
- SIMÕES, A invenção dos aerostatos reivindicada (Evora, 1868)
- MOEDEBECK, Zeitschrift für Luftschiffahrt (1893), 1-10
- JOÃO JALLES, Os balões (Lisbon, 1887)
- WILHELM, An der Wiege der Luftschiffahrt, Pt. II (Hamm, Westphalia, 1909).