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Exorcismo(Exorcism)

(Veja também DEMONOLOGIA, ENDEMONINHADOS, EXORCISTA, POSSESSÃO.)

(See also DEMONOLOGY, DEMONIACS, EXORCIST, POSSESSION.)

O exorcismo é (1) o ato de expulsar ou afastar demônios ou espíritos malignos de pessoas, lugares ou coisas que se acredita estarem possessos ou infestados por eles, ou que estão sujeitos a se tornarem vítimas ou instrumentos de sua malícia; (2) os meios empregados para esse fim, especialmente a bênção solene e autoritativa do demônio, em nome de Deus, ou de qualquer das potências superiores às quais ele está sujeito.

Exorcism is (1) the act of driving out, or warding off, demons, or evil spirits, from persons, places, or things, which are believed to be possessed or infested by them, or are liable to become victims or instruments of their malice; (2) the means employed for this purpose, especially the solemn and authoritative adjuration of the demon, in the name of God, or any of the higher power in which he is subject.

A palavra, que não é ela mesma bíblica, é derivada de exorkizo, que é utilizada na Septuaginta (Gênesis 24:3 = fazer jurar; III(I) Reis 22:16 = conjurar), e em Mateus 26:63, pelo sumo sacerdote a Cristo: "Eu te conjuro pela vida de Deus. . ." O horkizo não intensivo e o substantivo exorkistes (exorcista) aparecem em Atos 19:13, onde este último (no plural) é aplicado a certos judeus vagabundos que professavam ser capazes de expulsar demônios. A expulsão por conjuração é, portanto, o significado primário de exorcismo, e quando, como no uso cristão, essa conjuração é em nome de Deus ou de Cristo, o exorcismo é um ato ou rito estritamente religioso. Mas nas religiões étnicas, e mesmo entre os judeus desde a época em que há evidência de sua popularidade, o exorcismo como ato religioso é amplamente substituído pelo uso de meros meios mágicos e supersticiosos, aos quais escritores não católicos na atualidade às vezes assimilam de maneira bastante injusta o exorcismo cristão. A superstição não deve ser confundida com a religião, por mais entrelaçadas que suas histórias possam ser, nem a magia, por mais branca que possa ser, com um rito religioso legítimo.

The word, which is not itself biblical, is derived from exorkizo, which is used in the Septuagint (Genesis 24:3 = cause to swear; III(I) Kings 22:16 = adjure), and in Matthew 26:63, by the high priest to Christ, "I adjure thee by the living God. . ." The non-intensive horkizo and the noun exorkistes (exorcist) occur in Acts 19:13, where the latter (in the plural) is applied to certain strolling Jews who professed to be able to cast out demons. Expulsion by adjuration is, therefore, the primary meaning of exorcism, and when, as in Christian usage, this adjuration is in the name of God or of Christ, exorcism is a strictly religious act or rite. But in ethnic religions, and even among the Jews from the time when there is evidence of its being vogue, exorcism as an act of religion is largely replaced by the use of mere magical and superstitious means, to which non-Catholic writers at the present day sometimes quite unfairly assimilate Christian exorcism. Superstition ought not to be confounded with religion, however much their history may be interwoven, nor magic, however white it may be, with a legitimate religious rite.

Nas religiões étnicas

In ethnic religions

O uso de meios de proteção contra as molestações reais ou supostas de espíritos malignos segue naturalmente a crença em sua existência e é, e sempre foi, uma característica das religiões étnicas, tanto as selvagens quanto as civilizadas. Nesse contexto, apenas duas das religiões da antiguidade, a egípcia e a babilônica, merecem destaque; mas não é uma tarefa fácil, mesmo no caso dessas duas, isolar o que diz respeito estritamente ao nosso assunto da massa de mera magia em que está inserido. Os egípcios atribuíram certas doenças e vários outros males a demônios, e acreditavam na eficácia de amuletos e encantamentos mágicos para expulsá-los ou afastá-los. Os mortos, em particular, precisavam estar bem fortificados com magia para poderem realizar em segurança sua perigosa jornada para o submundo (veja Budge, Magia Egípcia, Londres, 1899). Mas do exorcismo, em sentido estrito, quase não há qualquer traço nos registros egípcios.

The use of protective means against the real, or supposed, molestations of evil spirits naturally follows from the belief in their existence, and is, and has been always, a feature of ethnic religions, savage and civilized. In this connection only two of the religions of antiquity, the Egyptian and Babylonian, call for notice; but it is no easy task, even in the case of these two, to isolate what bears strictly on our subject, from the mass of mere magic in which it is embedded. The Egyptians ascribed certain diseases and various other evils to demons, and believed in the efficacy of magical charms and incantations for banishing or dispelling them. The dead more particularly needed to be well fortified with magic in order to be able to accomplish in safely their perilous journey to the underworld (see Budge, Egyptian Magic, London, 1899). But of exorcism, in the strict sense, there is hardly any trace in the Egyptian records.

No famoso caso em que um demônio foi expulso da filha do Príncipe de Bekhten, o ministério humano foi em vão, e o deus Khonsu teve que ser enviado de Tebas para o propósito. O demônio retirou-se graciosamente quando confrontado com o deus, e foi autorizado por este a ser tratado em um grande banquete antes de partir "para seu próprio lugar" (op. cit. p. 206 sq.).

In the famous case where a demon was expelled from the daughter of the Prince of Bekhten, human ministry was unavailing, and the god Khonsu himself had to be sent the whole way from Thebes for the purpose. The demon gracefully retired when confronted with the god, and was allowed by the latter to be treated at a grand banquet before departing "to his own place" (op. cit. p. 206 sq.).

A magia babilônica estava amplamente ligada à medicina, certas doenças sendo atribuídas a algum tipo de possessão demoníaca, e o exorcismo sendo considerado o modo mais fácil, se não o único, de curá-las (Sayce, Hibbert Lect. 1887, 310). Para esse propósito, certas fórmulas de adivinhação eram empregadas, nas quais algum deus ou deusa, ou algum grupo de divindades, era invocado para conjurar o maligno e reparar o mal que ele havia causado. O seguinte exemplo (do Sayce, op. cit., 441 seq.) pode ser citado: "O demônio (possessor) que se apodera de um homem, o demônio (ekimmu) que se apodera de um homem; O demônio (que se apodera) que causa mal, o demônio maligno, Conjura, ó espírito do céu; conjura, ó espírito da terra." Para mais exemplos, veja King, Babylonian Magic and Sorcery (Londres, 1896).

Babylonian magic was largely bound up with medicine, certain diseases being attributed to some kind of demoniacal possession, and exorcism being considered easiest, if not the only, way of curing them (Sayce, Hibbert Lect. 1887, 310). For this purpose certain formulæ of adjuration were employed, in which some god or goddess, or some group of deities, was invoked to conjure away the evil one and repair the mischief he had caused. The following example (from Sayce, op. cit., 441 seq.) may be quoted: "The (possessing) demon which seizes a man, the demon (ekimmu) which seizes a man; The (seizing) demon which works mischief, the evil demon, Conjure, O spirit of heaven; conjure, O spirit of earth." For further examples see King, Babylonian Magic and Sorcery (London, 1896).

Entre os judeus

Among the Jews

Não há registro no Antigo Testamento de demônios sendo expulsos por homens. Em Tobias 8:3, está o anjo que "pegou o diabo e o atou no deserto do alto Egito"; e a instrução anteriormente dada ao jovem Tobias (6:18-19), de assar o coração do peixe no quarto nupcial, parece ter sido apenas parte do plano do anjo para ocultar sua própria identidade. Mas na literatura judaica extra-canônica existem encantamentos para exorcizar demônios, exemplos dos quais podem ser vistos no Talmud (Schabbath, xiv, 3; Aboda Zara, xii, 2; Sanhedrin, x, 1). Esses encantamentos eram às vezes inscritos na superfície interna de tigelas de barro, uma coleção das quais (estimada do século VII d.C.) é preservada no Museu Real em Berlim; e inscrições da coleção foram publicadas, traduzidas por Wohlstein na "Zeitschrift für Assyriologie" (dezembro de 1893; abril de 1894).

There is no instance in the Old Testament of demons being expelled by men. In Tobias 8:3, is the angel who "took the devil and bound him in the desert of upper Egypt"; and the instruction previously given to young Tobias (6:18-19), to roast the fish's heart in the bridal chamber, would seem to have been merely part of the angel's plan for concealing his own identity. But in extra-canonical Jewish literature there are incantations for exorcising demons, examples of which may be seen in Talmud (Schabbath, xiv, 3; Aboda Zara, xii, 2; Sanhedrin, x, 1). These were sometimes inscribed on the interior surface of earthen bowls, a collection of which (estimated to be from the seventh century A.D) is preserved in the Royal Museum in Berlin; and inscriptions from the collection have been published, translated by Wohlstein in the "Zeitschrift für Assyriologie" (December, 1893; April, 1894).

As principais características desses exorcismos judaicos são a nomeação de nomes considerados eficazes, ou seja, nomes de bons anjos, que eram usados isoladamente ou em combinação com El (=Deus); de fato, a dependência de meros nomes havia se tornado, há muito, uma superstição entre os judeus, e era considerado de máxima importância que os nomes apropriados, que variavam de acordo com os diferentes tempos e ocasiões, fossem utilizados. Foi essa crença supersticiosa, sem dúvida, que levou os filhos de Ceva, que haviam testemunhado os bem-sucedidos exorcismos de São Paulo em nome de Jesus, a tentar, por conta própria, a fórmula: "Eu vos conjuro pelo Jesus que Paulo prega", com resultados desastrosos para sua reputação (Atos 19:13). Era uma crença popular entre os judeus, aceita até por um cosmopolita erudito como Josefo, que Salomão havia recebido o poder de expulsar demônios e que ele havia composto e transmitido certas fórmulas que eram eficazes para esse propósito. O historiador judeu registra como um certo Eleazar, na presença do imperador Vespasiano e seus oficiais, conseguiu, por meio de um anel mágico aplicado ao nariz de uma pessoa possuída, expulsar o demônio pelas narinas — a virtude do anel sendo devida ao fato de que ele continha uma certa raiz rara indicada nas fórmulas de Salomão, a qual era extremamente difícil de se obter (Ant. Jud, VIII, ii, 5; cf. Bell. Jud. VII, vi, 3).

The chief characteristics of these Jewish exorcisms is their naming of names believed to be efficacious, i.e., names of good angels, which are used either alone or in combination with El (=God); indeed reliance on mere names had long before become a superstition with the Jews, and it was considered most important that the appropriate names, which varied for different times and occasions, should be used. It was this superstitious belief, no doubt, that prompted the sons of Sceva, who had witnessed St. Paul's successful exorcisms in the name of Jesus, to try on their own account the formula, "I conjure you by Jesus whom Paul preacheth", with results disastrous to their credit (Acts 19:13). It was a popular Jewish belief, accepted even by a learned cosmopolitan like Josephus, that Solomon had received the power of expelling demons, and that he had composed and transmitted certain formulæ that were efficacious for that purpose. The Jewish historian records how a certain Eleazar, in the presence of the Emperor Vespasian and his officers, succeeded, by means of a magical ring applied to the nose of a possessed person, in drawing out the demon through the nostrils — the virtue of the ring being due to the fact that it enclosed a certain rare root indicated in the formulaæ of Solomon, and which it was exceedingly difficult to obtain (Ant. Jud, VIII, ii, 5; cf. Bell. Jud. VII, vi, 3).

Mas, deixando de lado a superstição e a magia, é implícito nas respostas de Cristo aos fariseus, que O acusaram de expulsar demônios pelo poder de Beelzebul, que alguns judeus em Sua época exorcizavam demônios em nome de Deus: "e se eu expulso demônios por Beelzebul, por quem os vossos filhos os expulsam?" (Mateus 12:27). Não parece razoável entender esta resposta como mera ironia, ou como um simples argumentum ad hominem que não implica uma admissão do fato; ainda mais, pois em outro lugar (Marcos 9:37-38) temos um relato de uma pessoa que não era discípulo expulsando demônios em nome de Cristo, e cuja ação Cristo se recusou a reprovar ou proibir.

But superstition and magic apart, it is implied in Christ's answers to the Pharisees, who accused Him of casting out demons by the power of Beelzebub, that some Jews in His time successfully exorcised demons in God's name: "and if I by Beelzebub cast out devils, by whom do your children cast them out?" (Matthew 12:27). It does not seem reasonable to understand this reply as mere irony, or as a mere argumentum ad hominem implying no admission of the fact; all the more so, as elsewhere (Mark 9:37-38) we have an account of a person who was not a disciple casting out demons in Christ's name, and whose action Christ refused to reprehend or forbid.

Exorcismo no Novo Testamento

Exorcism in the New Testament

Assumindo a realidade da possessão demoníaca, da qual a autoridade de Cristo está comprometida, devemos observar que Jesus apelou para Seu poder sobre os demônios como um dos sinais reconhecidos da Messianidade (Mateus 12:23, 28; Lucas 11:20). Ele expulsou demônios, declarou, pelo dedo ou espírito de Deus, e não, como afirmaram Seus adversários, em conluio com o príncipe dos demônios (Mateus 12:24, 27; Marcos 3:22; Lucas 11:15, 19); e que Ele não exercia um mero poder delegado, mas uma autoridade pessoal que era propriamente Sua, é claro pela maneira direta e imperativa com a qual Ele ordena ao demônio que parta (Marcos 9:24; cf. 1:25 etc.): "Ele expulsou os espíritos com Sua palavra, e curou todos os que estavam doentes" (Mateus 8:16). Às vezes, como no caso da filha da mulher cananeia, o exorcismo ocorreu à distância (Mateus 15:22 ss.; Marcos 7:25). Outras vezes, os espíritos expulsos foram permitidos a expressar seu reconhecimento de Jesus como "o Santo de Deus" (Marcos 1:24) e a reclamar que Ele havia vindo para atormentá-los "antes do tempo", ou seja, o tempo de sua punição (Mateus 8:29 ss.; Lucas 8:28 ss.). Se a possessão demoníaca estava geralmente acompanhada de alguma doença, ainda assim, os dois não foram confundidos por Cristo ou pelos Evangelistas. Em Lucas 13:32, por exemplo, o Mestre Himself distingue expressamente entre a expulsão de espíritos malignos e a cura de doenças.

Assuming the reality of demoniac possession, for which the authority of Christ is pledged, it is to be observed that Jesus appealed to His power over demons as one of the recognised signs of Messiahship (Matthew 12:23, 28; Luke 11:20). He cast out demons, He declared, by the finger or spirit of God, not, as His adversaries alleged, by collusion with the prince of demons (Matthew 12:24, 27; Mark 3:22; Luke 11:15, 19); and that He exercised no mere delegated power, but a personal authority that was properly His own, is clear from the direct and imperative way in which He commands the demon to depart (Mark 9:24; cf. 1:25 etc.): "He cast out the spirits with his word, and he healed all that were sick" (Matthew 8:16). Sometimes, as with the daughter of the Canaanean woman, the exorcism took place from a distance (Matthew 15:22 sqq.; Mark 7:25). Sometimes again the spirits expelled were allowed to express their recognition of Jesus as "the Holy One of God" (Mark 1:24) and to complain that He had come to torment them "before the time", i.e the time of their punishment (Matthew 8:29 sqq; Luke 8:28 sqq.). If demoniac possession was generally accompanied by some disease, yet the two were not confounded by Christ, or the Evangelists. In Luke 13:32, for example, the Master Himself expressly distinguishes between the expulsion of evil spirits and the curing of disease.

Cristo também deu poder aos Apóstolos e Discípulos para expulsar demônios em Seu nome enquanto Ele ainda estava na terra (Mateus 10:1 e 8; Marcos 6:7; Lucas 9:1; 10:17), e prometeu o mesmo poder aos crentes em geral (Marcos 16:17). Mas a eficácia desse poder delegado era condicional, como vemos pelo fato de que os próprios Apóstolos nem sempre eram bem-sucedidos em seus exorcismos: certos tipos de espíritos, como Cristo explicou, podiam ser expulsos apenas pela oração e pelo jejum (Mateus 17:15, 20; Marcos 9:27-28; Lucas 9:40). Em outras palavras, o sucesso do exorcismo realizado por cristãos, em nome de Cristo, está sujeito às mesmas condições gerais das quais dependem tanto a eficácia da oração quanto o uso do poder carismático. No entanto, um sucesso conspícuo foi prometido (Marcos 16:17). São Paulo (Atos 16:18; 19:12) e, sem dúvida, os outros Apóstolos e Discípulos, utilizavam regularmente, conforme a ocasião surgisse, seu poder de exorcismo, e a Igreja continuou a fazer isso ininterruptamente até os dias atuais.

Christ also empowered the Apostles and Disciples to cast out demons in His name while He Himself was still on earth (Matthew 10:1 and 8; Mark 6:7; Luke 9:1; 10:17), and to believers generally He promised the same power (Mark 16:17). But the efficacy of this delegated power was conditional, as we see from the fact that the Apostles themselves were not always successful in their exorcisms: certain kinds of spirits, as Christ explained, could only be cast out by prayer and fasting (Matthew 17:15, 20; Mark 9:27-28; Luke 9:40). In other words the success of exorcism by Christians, in Christ's name, is subject to the same general conditions on which both the efficacy of prayer and the use of charismatic power depend. Yet conspicuous success was promised (Mark 16:17). St. Paul (Acts 16:18; 19:12), and, no doubt, the other Apostles and Disciples, made use of regularly, as occasion arose, of their exorcising power, and the Church has continued to do so uninterruptedly to the present day.

Exorcismos eclesiásticos

Ecclesiastical exorcisms

Além do exorcismo no sentido mais estrito — ou seja, para expulsar demônios dos possessos — o ritual católico, seguindo tradições antigas, reteve vários outros exorcismos, e estes também merecem nota aqui.

Besides exorcism in the strictest sense — i.e. for driving out demons from the possessed — Catholic ritual, following early traditions, has retained various other exorcisms, and these also call for notice here.

Exorcismo de possessos

Exorcism of the possessed

Temos a testemunha de todos os primeiros escritores que mencionam o assunto de que, nos primeiros séculos, não apenas o clero, mas também os cristãos leigos eram capazes, pelo poder de Cristo, de libertar possuídos ou energúmenos, e seu sucesso era invocado pelos primeiros Apologistas como um forte argumento a favor da Divindade da religião cristã (Justino Mártir, Primeira Apologia 6; Diálogo com Trifo 30 e 85; Minúcio Félix, Octávios 27; Orígenes, Contra Celso I.25; VII.4; VII.67; Tertuliano, Apologia 22, 23; etc.). Como é claro pelos testemunhos referidos, nenhum meio mágico ou supersticioso foi empregado, mas, naqueles primeiros séculos, assim como em épocas posteriores, uma simples e autoritária invocação dirigida ao demônio em nome de Deus, e mais especialmente em nome de Cristo crucificado, era a forma usual de exorcismo.

We have it on the authority of all early writers who refer to the subject at all that in the first centuries not only the clergy, but lay Christians also were able by the power of Christ to deliver demoniacs or energumens, and their success was appealed to by the early Apologists as a strong argument for the Divinity of the Christian religion (Justin Martyr, First Apology 6; Dialogue with Trypho 30 and 85; Minutius Felix, Octavius 27; Origen, Against Celsus I.25; VII.4; VII.67; Tertullian, Apology 22, 23; etc.). As is clear from testimonies referred to, no magical or superstitious means were employed, but in those early centuries, as in later times, a simple and authoritative adjuration addressed to the demon in the name of God, and more especially in the name of Christ crucified, was the usual form of exorcism.

Mas às vezes, além das palavras, alguma ação simbólica era empregada, como a insuflação (insufflatio), ou a imposição de mãos sobre o sujeito, ou a realização do sinal da cruz. Santo Justino fala sobre demônios fugindo do "toque e da respiração dos cristãos" (Segunda Apologia 6) como de uma chama que os queima, como acrescenta Santo Cirilo de Jerusalém (Catequese 20.3). Orígenes menciona a imposição de mãos, e Santo Ambrósio (Paulinus, Vit. Ambr., n. 28, 43, P.L, XIV, 36, 42), Santo Efrém Sírio (Gregório de Nissa, De Vit. Ephr., P.G., XLVI, 848) e outros usaram esta cerimônia no exorcismo. O sinal da cruz, a maneira mais breve e simples de expressar a fé no Crucificado e invocar Seu poder Divino, é exaltado por muitos Pais pela sua eficácia contra todo tipo de moléstia demoníaca (Lactâncio, Institutos Divinos IV.27; Atanásio, Sobre a Encarnação do Verbo 47; Basílio, In Isai., XI, 249, P.G., XXX, 557, Cirilo de Jerusalém, Catequese 13.3; Gregório Nazianzeno, Carm. Adv. iram, v, 415 sq.; P.G., XXXVII, 842). Os Pais recomendam também que a adjuração e as orações acompanhadoras sejam formuladas com as palavras da Sagrada Escritura (Cirilo de Jerusalém, Procatequese 9; Atanásio, Ad Marcell., n. 33, P.G., XXVII, 45). O rito de exorcismo atual, conforme apresentado no Ritual Romano, concorda plenamente com o ensinamento patrístico e é uma prova da continuidade da tradição católica nesse assunto.

But sometimes in addition to words some symbolic action was employed, such as breathing (insufflatio), or laying of hands on the subject, or making the sign of cross. St. Justin speaks of demons flying from "the touch and breathing of Christians" (Second Apology 6) as from a flame that burns them, adds St. Cyril of Jerusalem (Catechetical Lectures 20.3). Origen mentions the laying of hands, and St. Ambrose (Paulinus, Vit. Ambr., n. 28, 43, P.L, XIV, 36, 42), St. Ephraem Syrus (Gregory of Nyssa, De Vit. Ephr., P.G., XLVI, 848) and others used this ceremony in exorcising. The sign of the cross, that briefest and simplest way of expressing one's faith in the Crucified and invoking His Divine power, is extolled by many Fathers for its efficacy against all kinds of demoniac molestation (Lactantius, Divine Institutes IV.27; Athanasius, On the Incarnation of the Word 47; Basil, In Isai., XI, 249, P.G., XXX, 557, Cyril of Jerusalem, Catechetical Lectures 13.3; Gregory Nazianzen, Carm. Adv. iram, v, 415 sq.; P.G., XXXVII, 842). The Fathers further recommend that the adjuration and accompanying prayers should be couched in the words of Holy Writ (Cyril of Jerusalem, Procatechesis 9; Athanasius, Ad Marcell., n. 33, P.G., XXVII, 45). The present rite of exorcism as given in the Roman Ritual fully agrees with patristic teaching and is a proof of the continuity of Catholic tradition in this matter.

Exorcismo batismal

Baptismal exorcism

Em uma idade precoce, a prática de exorcizar os catecúmenos foi introduzida na Igreja como uma preparação para o Sacramento do Batismo. Isso não significava que eram considerados obcecados, como os demoniacos, mas apenas que estavam, em consequência do pecado original (e dos pecados pessoais no caso dos adultos), sujeitos mais ou menos ao poder do diabo, cujas "obras" ou "pompas" eram chamados a renunciar, e do domínio do qual a graça do batismo estava prestes a libertá-los.

At an early age the practice was introduced into the Church of exorcising catechumens as a preparation for the Sacrament of Baptism. This did not imply that they were considered to be obsessed, like demoniacs, but merely that they were, in consequence of original sin (and of personal sins in case of adults), subject more or less to the power of the devil, whose "works" or "pomps" they were called upon to renounce, and from whose dominion the grace of baptism was about to deliver them.

O exorcismo, neste contexto, é uma antecipação simbólica de um dos principais efeitos do sacramento da regeneração; e uma vez que foi utilizado no caso de crianças que não tinham pecados pessoais, Santo Agostinho poderia apelar a isso contra os pelagianos como uma clara implicação da doutrina do pecado original (Ep. cxciv, n. 46. P.L., XXXIII, 890; C. Jul. III, 8; P.L., XXXIV, 705, e em outros lugares). Santo Cirilo de Jerusalém (Procatequesis 14) dá uma descrição detalhada do exorcismo batismal, da qual se infere que a unção com óleo exorcizado fazia parte desse exorcismo no Oriente. O único testemunho ocidental antigo que trata a unção como parte do exorcismo batismal é o dos Cânones Árabes de Hipólito (n. 19, 29). A Exsuflatio, ou expiração do demônio pelo candidato, que às vezes fazia parte da cerimônia, simbolizava a renúncia a suas obras e pompas, enquanto a Insufflatio, ou inspiração do Espírito Santo, pelos ministros e assistentes, simbolizava a infusão da graça santificante pelo sacramento. A maioria dessas antigas cerimônias tem sido retida pela Igreja até hoje em seu rito de batismo solene.

Exorcism in this connection is a symbolical anticipation of one of the chief effects of the sacrament of regeneration; and since it was used in the case of children who had no personal sins, St. Augustine could appeal to it against the Pelagians as implying clearly the doctrine of original sin (Ep. cxciv, n. 46. P.L., XXXIII, 890; C. Jul. III, 8; P.L., XXXIV, 705, and elsewhere). St. Cyril of Jerusalem (Procatechesis 14) gives a detailed description of baptismal exorcism, from which it appears that anointing with exorcised oil formed a part of this exorcism in the East. The only early Western witness which treats unction as part of the baptismal exorcism is that of the Arabic Canons of Hippolytus (n. 19, 29). The Exsufflatio, or out-breathing of the demon by the candidate, which was sometimes part of the ceremony, symbolized the renunciation of his works and pomps, while the Insufflatio, or in-breathing of the Holy Ghost, by ministers and assistants, symbolised the infusion of sanctifying grace by the sacrament. Most of these ancient ceremonies have been retained by the Church to this day in her rite for solemn baptism.

Outros exorcismos

Other exorcisms

De acordo com a crença católica, os demônios ou anjos caídos retêm seu poder natural, como seres inteligentes, de atuar sobre o universo material, de usar objetos materiais e direcionar forças materiais para seus próprios fins malignos; e esse poder, que é por si só limitado e, claro, está sujeito ao controle da Providência divina, acredita-se que tenha sido permitido um escopo mais amplo para sua atividade em consequência do pecado da humanidade. Portanto, lugares e coisas, bem como pessoas, estão naturalmente sujeitos à infestação diabólica, dentro dos limites permitidos por Deus, e o exorcismo em relação a eles não é nada mais do que uma oração a Deus, em nome de Sua Igreja, para restringir esse poder diabólico de maneira sobrenatural e uma profissão de fé em Sua disposição de fazê-lo em nome de Seus servos na Terra.

According to Catholic belief demons or fallen angels retain their natural power, as intelligent beings, of acting on the material universe, and using material objects and directing material forces for their own wicked ends; and this power, which is in itself limited, and is subject, of course, to the control of Divine providence, is believed to have been allowed a wider scope for its activity in the consequence of the sin of mankind. Hence places and things as well as persons are naturally liable to diabolical infestation, within limits permitted by God, and exorcism in regard to them is nothing more that a prayer to God, in the name of His Church, to restrain this diabolical power supernaturally, and a profession of faith in His willingness to do so on behalf of His servants on earth.

As coisas principais que são exorcizadas formalmente na bênção são água, sal, óleo, e estes, por sua vez, são utilizados em exorcismos pessoais, e na bênção ou consagração de lugares (por exemplo, igrejas) e objetos (por exemplo, altares, vasos sagrados, sinos da igreja) relacionados ao culto público, ou destinados à devoção privada. A água benta, o sacramental com o qual os fiéis ordinários estão mais familiarizados, é uma mistura de água exorcizada e sal exorcizado; e na oração de bênção, Deus é implorado para dotar esses elementos materiais com um poder sobrenatural de proteger aqueles que os utilizam com fé contra todos os ataques do diabo. Esse tipo de exorcismo indireto por meio de objetos exorcizados é uma extensão da ideia original; mas não introduz nenhum novo princípio, e tem sido utilizado na Igreja desde os primeiros tempos. (Veja também EXORCISTA.)

The chief things formally exorcised in blessing are water, salt, oil, and these in turn are used in personal exorcisms, and in blessing or consecrating places (e.g. churches) and objects (e.g. altars, sacred vessels, church bells) connected with public worship, or intended for private devotion. Holy water, the sacramental with which the ordinary faithful are most familiar, is a mixture of exorcised water and exorcised salt; and in the prayer of blessing, God is besought to endow these material elements with a supernatural power of protecting those who use them with faith against all the attacks of the devil. This kind of indirect exorcism by means of exorcised objects is an extension of the original idea; but it introduces no new principle, and it has been used in the Church from the earliest ages. (See also EXORCIST.)