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André-Hercule de Fleury(André-Hercule de Fleury)

Nascido em Lodève, 26 de junho de 1653; faleceu em Paris, 29 de janeiro de 1742. Foi protegido do Cardeal de Bonzi e tornou-se capelão de Maria Teresa em 1670 e de Luís XIV em 1683. Foi nomeado bispo de Fréjus em 1698, mas renunciou à sé em 1715, quando recebeu a Abadia de Tournus e foi designado tutor do jovem Luís XV. Naturalmente frio e imperturbável, manteve-se em segundo plano durante a regência. Quando Luís XV atingiu a maioridade em 1723, foi a pedido de Fleury que o Duque de Bourbon foi nomeado primeiro-ministro e, ao se desentender com o Duque, Fleury fingiu se retirar para Issy. Luís XV, no entanto, que admirava e amava seu tutor, enviou o Duque ao exílio e confiou o governo a Fleury. Fiel aos seus hábitos de discrição e acostumado, como diz Duclos, "a controlar os invejosos", ele nunca assumiu o título de primeiro-ministro. Foi feito cardeal em setembro de 1726 e, até sua morte, permaneceu o espírito orientador na política francesa.

Born at Lodève, 26 June, 1653; died at Paris, 29 January, 1742. He was a protégé of Cardinal de Bonzi and become chaplain to Maria Theresa in 16790, and to Louis XIV in 1683. He was appointed bishop of Fréjus in 1698, but resigned the see in 1715, when he received the Abbey of Tournus and was appointed tutor to the young Louis XV. Naturally cold and imperturbable, he remained in the background during the regency. When Louis XV attained his majority in 1723, it was at the instance of Fleury that the Duc de Bourbon was made prime minister, and quarrelling with the Duke, Fleury pretended to retire to Issy. Louis XV, however, who admired and loved his tutor, sent the Duke into exile, and entrusted the government to Fleury. True to his habits of discretion, and accustomed, as Duclos says, "to bridle the envious", he never assumed the title of prime minister. He was made cardinal in September, 1726, and until his death remained the guiding spirit in French politics.

Comparando os três cardeais, d'Argenson disse: "Richelieu sangrou a França, Mazarin purgou-a, e Fleury colocou-a em uma dieta". Ele aludia de maneira brincalhona à política de economia do cardeal que, entre outras desvantagens, retardou o desenvolvimento da marinha militar francesa na mesma época em que a marinha mercante, graças à iniciativa privada, estava fazendo considerável progresso. Apesar disso, Fleury possuía as qualidades de um grande ministro. Ele foi o primeiro a prever que a França não estaria sempre em conflito com os Habsburgo. Em relação à sucessão polonesa e ao Ducado da Lorena, ele se aproveitou dos melhores conselhos do diplomata Chauvelin, quando se tornou necessário jogar um jogo cauteloso com a Áustria. Mas, como diz Vandal, a política de Chauvelin era a do passado. Fleury, ao redobrar seus esforços para estabelecer o mais rapidamente possível relações amigáveis entre o Rei da França e o imperador, foi o precursor de Choiseul, Vergennes e Talleyrand. Ele foi acusado de timidez quando, no início da Guerra da Sucessão Austríaca, escreveu uma carta ao General Königseck, na qual parecia se desculpar por essa guerra. Mas, na verdade, Fleury estava apenas antecipando a política do renversement des alliances (rompimento das alianças), que começou em 1756, e que, unindo França e Áustria, estaria mais em conformidade com as tradições católicas de ambos os países. As opiniões de historiadores como Vandal e Masson em relação a esse renversement des alliances, tão criticado por longo tempo, tendem a justificar o Cardeal Fleury.

Comparing the three cardinals, d'Argenson said: "Richelieu bled France, Mazarin purged it, and Fleury put it on a diet". He alluded in this bantering way to the cardinal's policy of economy which, among other drawbacks, retarded the development of the French military marine at the very period when the mercantile marine, thanks to private enterprise, was making considerable progress. In spite of this, Fluery had the qualities of a great minister. He was the first to foresee that France would not always be at enmity with the Hapsburghs. In connection with the Polish succession and the Duchy of Lorraine, he availed himself of the best advice of the diplomat Chauvelin, when it became necessary to play a cautious game with Austria. But, as Vandal says, the policy of Chauvelin was that of the past. Fleury, in redoubling his efforts to bring about as quickly as possible pleasant relations between the King of France and the emperor, was the precursor of Choisuel, Vergennes, and Talleyrand. He was accused of timidity when, at the outbreak of the War of Austrian Succession he wrote a letter to General Königseck, in which he seemed to apologize for this war. But, in truth, Fleury was simply anticipating the policy of the renversement des alliances (breaking up of the alliances), which began in 1756, and which by uniting France and Austria was to be more in conformity with the Catholic traditions of both countries. The opinions of historians like Vandal and Masson with regard to this renversement des alliances, so long the object of criticism, tends to justify Cardinal Fleury.

Durante o período do poder de Fleury, o jansenismo ganhava força entre as massas como uma seita supersticiosa, como é evidenciado pelos milagres do diácono Pâris, enquanto entre as classes altas tomava forma como uma facção política. Fleury foi o ministro que teve que enfrentar uma oposição jansenista no Parlamento de Paris. Ele reservou à autoridade real todas as questões relacionadas aos jansenistas, uma consequência da qual foi uma "greve" por parte dos magistrados e advogados, que Fleury suprimiu com certas medidas de severidade. Ele se tornou membro da Academia em 1717 e foi o primeiro a propor o envio de uma expedição científica ao extremo norte e ao Peru para medir os graus do meridiano.

During the period of Fleury's power, Jansenism was gaining ground among the masses as a superstitious sect, as is evidenced by the miracles of the deacon Pâris, while among the upper classes it took shape as a political faction. Fleury was the minister who had to contend with a Jansenist opposition in the Parliament of Paris. He reserved to royal authority all matters relating to Jansenists, one consequence of which was a "strike" on the part of the magistrates and lawyers, which Fleury suppressed with certain measures of severity. He became a member of the Academy in 1717 and was the first to propose sending a scientific expedition to the far north and to Peru to measure the degrees of the meridian.


Fontes:

Sources:

  • Marais, Mémoires (Paris, 1857)
  • D'Argenson, Journal (Paris, 1859-67)
  • Duclos, Mémoires secrets (Paris, 1791)
  • Lacretelle, Histoire de France pendant o 18º século (Paris, 1830)
  • Jobez, A França sob Luís XV (Paris, 1861-73)
  • Duque de Broglie, O Cardeal de Fleury e a Pragmática Imperial na Revue historique (1882).
  • Marais, Mémoires (Paris, 1857)
  • D'Argenson, Journal (Paris, 1859-67)
  • Duclos, Mémoires secrets (Paris, 1791)
  • Lacretelle, Histoire de France pendant le 18e siècle (Partis, 1830)
  • Jobez, La France sous Louis XV (Paris, 1861-73)
  • Duc de Broglie, Le Cardinal de Fleury et la Pragmatqiue impêriale in Revue historique (1882).